sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PARA A GERAÇÃO QUE SE NEGA A ENVELHECER

Alguns não terão ainda 60, mas não andam longe e/ou para lá caminham .
Se estivermos atentos, podemos notar que está a aparecer uma nova
franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de
 idade, os sexalescentes : é a geração que rejeita a palavra
 "sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se
 envelhecer.
  Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que,
 em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da
 adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em
 corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como
 vestir-se.

 Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta teve uma vida
 razoavelmente satisfatória.
 São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que
 conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram
 durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram
 há muito a actividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a
 vida.
 Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em
 reformar-se. E os que já se reformaram gozam plenamente cada dia sem
 medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro quer num, quer na
 outra. Desfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho,
 criação dos filhos, preocupações, falhanços e sucessos, sabe bem olhar
 para o mar
 sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um
 5.º andar...

 Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e activas, a mulher tem
 um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua
 vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares
 na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.
 Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o
 feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram
 tantas as mudanças,  parou e reflectiu sobre o que na realidade queria.
 Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que
 sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter
 filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas,
 diplomatas... Mas cada uma fez o que quis : reconheçamos que não foi
 fácil, e no entanto continuam a fazê-lo todos os dias.

 Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.

 Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração
 dos "sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o
 tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e
 vêem-se), e até se esquecem do velho telefone para contactar os amigos
 - mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências.
 
 De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando
 não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem
 em prantos sentimentais.
Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
 Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflecte, toma nota, e
 parte para outra...
 
 Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas
 superlativas, quase insolentes de beleza ; mas não se sentem em
 retirada. Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo...
 Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto, ou
 dos que ostentam um fato Armani, nem as mulheres sonham em ter as
 formas perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de
 um olhar cúmplice, de uma frase  inteligente ou de um sorriso
 iluminado pela experiência.
 
 Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao
 longo da sua vida, estão a estrear uma idade que não tem nome. Antes
 seriam velhos e agora já não o são. Hoje estão de boa saúde, física e
 mental, recordam a juventude mas sem nostalgias parvas, porque a
 juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.
 
 Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...
 
 Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam
 aos 60 no século XXI ...

Autor desconhecido