quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

AMIGOS

Para TODOS aqueles que me são próximos, para aqueles que me são indifrentes, e para TODOS os que não estão incluidos aqui vão os meus votos sinceros de um Bom Ano Novo, com tudo o que desejam.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Procuro no Horizonte


Olho até onde até a minha vista alcança, ao longe as nuvens mudam de forma apresentando silhuetas variadas

avanço até a linha do horizonte onde este parece afastar-se a medida em que eu avanço como quem não quer ser alcançado, não importa sinto-me bem estou tranquilo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O DIREITO DE SONHAR

Que acham se delirar-mos por um tempinho?

Que acham se fixarmos os nossos olhos mais além da infâmia para imaginar  outro mundo possível?

O ar estará limpo de todo o veneno que não venha dos medos humanos e das humanas nas paixões

nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães

 As pessoas não serão dirigidas pelos automóveis nem serão programadas pelo computador nem serão compradas pelos supermercados nem serão também vistas pela televisão

 o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de engomar ou a máquina de lavar roupa

será incorporado aos códigos penais, o crime de estupidez para aqueles que o cometem por viver para ter ou para ganhar, ao invés de viver simplesmente, assim como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.

 Em nenhum país irão prender os rapazes que se recusem a cumprir o serviço militar, senão aqueles que queiram servi-lo ninguém viverá para trabalhar, mas todos nós trabalharemos para viver.

Os economistas não chamarão mais o nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão de quantidade de vida as quantidades de coisas

Os cozinheiros não acreditarão que as lagostas adoram serem cozidas vivas

Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos

Os políticos não acreditarão que os pobres adoram comer promessas

A solenidade deixará de acreditar que é uma virtude, ninguém, ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de tirar o sarro de si mesmo

A morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes, e nem por falecimento, nem por fortuna se converterá um canalha num virtuoso cavalheiro

A comida não será uma mercadoria, nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos

Ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão

As crianças de rua não serão tratadas como lixo, porque não existirão crianças de rua

As crianças ricas não serão tratadas como se fosse dinheiro, porque não haverá crianças ricas

A educação não será privilégio daqueles que possam pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa compra-la

A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, novamente juntas de volta, bem guardadinhas, costas com costas

Na Argentina, as loucas da “ plaza de Mayo” serão um exemplo de saúde mental porque elas se negam a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória

A Santa Mãe igreja corrigirá algumas erratas das escritas de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo

A igreja também realizará outro mandamento que Deus havia esquecido:

“Amarás a natureza da qual fazes parte”

Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma

Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles serão os que se desesperaram de muito, muito esperar e eles se perderam de muito, muito procurar

Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham vontade de beleza e vontade de justiça, que tenham nascido quando tenham nascido e tenham vivido onde tenham vivido, sem que importem nenhum  pouquinho as fronteiras do mapa nem do tempo

Seremos imperfeitos, porque a perfeição continuará sendo o chato privilégio dos deuses, mas neste mundo, neste mundo trapalhão e fodido, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.



Eduardo Galeano

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PARA A GERAÇÃO QUE SE NEGA A ENVELHECER

Alguns não terão ainda 60, mas não andam longe e/ou para lá caminham .
Se estivermos atentos, podemos notar que está a aparecer uma nova
franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de
 idade, os sexalescentes : é a geração que rejeita a palavra
 "sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se
 envelhecer.
  Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que,
 em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da
 adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em
 corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como
 vestir-se.

 Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta teve uma vida
 razoavelmente satisfatória.
 São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que
 conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram
 durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram
 há muito a actividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a
 vida.
 Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em
 reformar-se. E os que já se reformaram gozam plenamente cada dia sem
 medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro quer num, quer na
 outra. Desfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho,
 criação dos filhos, preocupações, falhanços e sucessos, sabe bem olhar
 para o mar
 sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um
 5.º andar...

 Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e activas, a mulher tem
 um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua
 vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares
 na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.
 Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o
 feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram
 tantas as mudanças,  parou e reflectiu sobre o que na realidade queria.
 Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que
 sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter
 filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas,
 diplomatas... Mas cada uma fez o que quis : reconheçamos que não foi
 fácil, e no entanto continuam a fazê-lo todos os dias.

 Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.

 Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração
 dos "sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o
 tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e
 vêem-se), e até se esquecem do velho telefone para contactar os amigos
 - mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências.
 
 De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando
 não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem
 em prantos sentimentais.
Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
 Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflecte, toma nota, e
 parte para outra...
 
 Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas
 superlativas, quase insolentes de beleza ; mas não se sentem em
 retirada. Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo...
 Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto, ou
 dos que ostentam um fato Armani, nem as mulheres sonham em ter as
 formas perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de
 um olhar cúmplice, de uma frase  inteligente ou de um sorriso
 iluminado pela experiência.
 
 Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao
 longo da sua vida, estão a estrear uma idade que não tem nome. Antes
 seriam velhos e agora já não o são. Hoje estão de boa saúde, física e
 mental, recordam a juventude mas sem nostalgias parvas, porque a
 juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.
 
 Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...
 
 Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam
 aos 60 no século XXI ...

Autor desconhecido